A liderança australiana da Kia está reafirmando o seu compromisso com o Tasman ute, reconhecendo o seu início lento e insistindo que o veículo acabará por ter sucesso no competitivo mercado australiano. Apesar de ficar aquém das projeções iniciais de vendas, a empresa está a duplicar a aposta, com os executivos a prometerem maior foco nas vendas da frota e potenciais ajustes de autonomia para melhorar o desempenho.
As vendas iniciais ficam aquém das expectativas
Lançado em julho de 2025, o Tasman ute registou 4.196 unidades no final de 2025 – significativamente abaixo da meta inicial da Kia de ultrapassar as 10.000 vendas no seu primeiro ano. Isto está muito atrás de líderes de mercado como o Ford Ranger e o Toyota HiLux, que ultrapassaram as 50.000 unidades vendidas apenas em 2024.
A lenta aceitação é particularmente perceptível nas variantes de nível de entrada, onde os executivos da Kia admitem que não estão a conquistar a quota de mercado desejada. “Vemos uma lacuna na faixa S [de nível básico], não estamos recebendo nossa parcela justa lá”, afirmou o COO Dennis Piccoli. A empresa atribui isso à penetração insuficiente da frota, um segmento crítico para o sucesso da cabine dupla na Austrália.
Foco na frota e ajustes futuros
A Kia planeja resolver isso visando agressivamente os compradores de frotas, com versões de cabine única/chassis previstas para lançamento no início de 2026. Este é um movimento estratégico, já que as vendas de frotas muitas vezes representam uma parcela substancial do volume de cabine dupla.
No entanto, a empresa também está preparada para racionalizar a gama Tasman, se necessário. O GM de produto Roland Rivero indicou que a Kia pode racionalizar as variantes existentes para simplificar o gerenciamento de estoque do revendedor e melhorar o foco nas vendas. “Para um produto Kia, [o Tasman] é de longe o produto Kia mais complexo… há muitas variantes que precisam ser gerenciadas.”
Um mercado competitivo
As lutas do Tasman destacam a intensa competição no mercado australiano de carros. O segmento tornou-se cada vez mais fragmentado, com inúmeras marcas a competir por quota e os clientes a exigirem diversas opções de grupos motopropulsores – desde os tradicionais modelos diesel até aos híbridos.
“A realidade é que esse segmento [de cabine dupla] tornou-se muito mais fragmentado”, observou Piccoli. “As marcas que estão lá dependem tanto de seus produtos [ute] e apenas do nível geral de agressividade do mercado… é extremamente competitivo.”
Perspectiva de longo prazo
Embora a Kia permaneça publicamente comprometida com os seus objetivos de vendas a longo prazo (incluindo uma meta anual de 20.000 unidades anteriormente alardeada), os executivos estão a moderar as expectativas. Quando questionado sobre se a empresa atingiria essa meta, Piccoli ofereceu um evasivo “veremos”.
O sucesso do Tasman é crucial para a Kia Austrália, já que a empresa pretende diversificar o seu mix de vendas para além dos veículos de passageiros como o Carnival. Contudo, alcançar este objectivo exigirá um esforço sustentado, ajustamentos estratégicos e, potencialmente, uma vontade de adaptação às realidades de um mercado ferozmente competitivo.
