A marca Volvo sempre foi sinônimo de uma característica específica: longevidade inabalável. Desde Irv Gordon, que dirigiu o seu Volvo 1800S de 1966 por mais de 5,2 milhões de quilómetros, até aos robustos vagões que definiram décadas de engenharia sueca, a Volvo construiu a sua identidade sendo “à prova de balas”.
No entanto, dados recentes sugerem que a lendária fiabilidade da marca enfrenta um desafio moderno. No estudo de confiabilidade de veículos J.D. Power 2026, a Volvo ficou no final do grupo, superando por pouco apenas a Jeep e a Land Rover. Este declínio destaca uma tendência mais ampla da indústria: à medida que os fabricantes se orientam para híbridos plug-in complexos (PHEV), veículos eléctricos (EV) e interfaces com software pesado, a fiabilidade mecânica da “velha escola” é muitas vezes sacrificada pela complexidade digital.
Para ver se a marca ainda consegue cumprir sua promessa, estamos iniciando um teste de longo prazo de 40.000 milhas do Volvo XC90 B6 Ultra.
O XC90 moderno: estética e interface
Apesar de já ter passado uma década na sua segunda geração, o XC90 continua a ser um elemento básico do segmento dos SUV de luxo. A Volvo introduziu várias atualizações para manter o modelo competitivo:
* Atualização visual: Faróis atualizados e design de grade mais agressivo.
* Personalização: Uma nova opção para trocar acabamentos prateados por detalhes em preto na grade, janelas e portas.
* Cockpit Digital: Uma tela sensível ao toque de 11,2 polegadas serve como centro de comando.
No entanto, o movimento em direção à digitalização traz atritos. Notavelmente, apesar da tela moderna, os usuários ainda devem usar uma conexão com fio para Apple CarPlay e Android Auto – uma omissão frustrante em uma era de integração sem fio perfeita.
Desempenho e especificações
Nosso veículo de teste é o B6 Ultra, o modelo não plug-in de primeira linha. Custando aproximadamente US$ 74.745, ele fica cerca de US$ 10.000 abaixo do T8 Plug-in Hybrid de alto desempenho.
| Recurso | Especificação |
|---|---|
| Trem de força | 2.0L 4 cilindros com compressor elétrico |
| Cavalos de potência | 295 cv |
| Trem de transmissão | Tração Integral (AWD) |
| 0–60 mph | 6,7 segundos |
| Peso em ordem de marcha | ~4.713 libras |
Embora o B6 seja bastante capaz, falta-lhe a potência do T8 PHEV, que entrega 455 cv e uma corrida muito mais rápida de 4,8 segundos a 60 mph. A experiência de condução é caracterizada por uma suave transmissão automática de oito velocidades, embora seja dificultada por um sistema start/stop invencível. Esse recurso interrompe frequentemente a operação do motor, uma reclamação comum entre motoristas que buscam uma experiência de luxo mais integrada.
A questão da confiabilidade
A questão central deste teste de longo prazo é se a complexidade moderna da Volvo irá minar a sua durabilidade histórica.
Os primeiros sinais são confusos. Embora o veículo não tenha apresentado problemas mecânicos em seus primeiros 1.900 quilômetros, a luta de toda a indústria com componentes acionados por software e atualizações over-the-air se aproxima. Visitamos a ArborMotion, uma oficina especializada com 40 anos de experiência, para avaliar o sentimento local. Embora ainda vejam “sobreviventes” de alta quilometragem, como os S60 e V70 de 350.000 milhas, a era moderna da eletrônica apresenta um conjunto de variáveis diferente da era puramente mecânica de Irv Gordon.
O objetivo desta viagem de 64.000 quilómetros é determinar se o SUV mais vendido da Volvo ainda possui o seu lendário “mojo” ou se a transição para o luxo de alta tecnologia ocorreu à custa da fiabilidade a longo prazo.
Resumo do teste inicial (mês 1)
- Quilometragem atual: 1.241 milhas
- Economia média de combustível: 20 mpg
- Custos totais de serviço/reparo: US$ 0
- Alcance observado: ~370 milhas
Conclusão: O XC90 B6 oferece uma experiência de direção premium e bem equipada, mas seu valor a longo prazo dependerá de a Volvo conseguir equilibrar sua nova complexidade digital com a confiabilidade robusta que construiu sua reputação.




















